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Vazão e velocidade 
de filtração

ARTIGOS TÉCNICOS

Vazão e velocidade de filtração

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ENGENHARIA DE DESPOEIRAMENTO

O que determina o tamanho de um sistema de despoeiramento

O tamanho de um sistema de despoeiramento não se escolhe por catálogo: o definem duas variáveis encadeadas, a vazão e a velocidade de filtração. Primeiro, quanto ar é preciso mover para capturar o pó onde ele é gerado —a vazão. Segundo, a que velocidade esse ar pode atravessar o meio filtrante —a velocidade de filtração—, que é o que determina quanta área de filtro é necessária. Errar qualquer uma das duas se paga: com pouca vazão o pó não é captado; com uma velocidade de filtração alta demais os filtros entopem e a aspiração cai.

Primeiro a vazão: quanto ar é preciso mover

A vazão se define na fonte, capturando o pó no ponto onde ele é emitido. Há duas abordagens conforme o caso: captar no ponto de emissão garantindo uma velocidade de captura suficiente para arrastar a partícula até a coifa, ou dimensionar por renovações do ar do recinto quando a emissão é difusa. Quanto mais pontos de aspiração, maior a área a ventilar ou mais leve a partícula a arrastar, maior será a vazão necessária. Essa vazão é o ponto de partida: todo o resto se dimensiona a partir dela.

Depois a velocidade de filtração: quanta área filtrante é necessária

A velocidade de filtração é a relação entre a vazão e a área total de meio filtrante. O resultado é uma velocidade —quanto ar atravessa cada metro quadrado de filtro— e é o que determina a área filtrante (e, portanto, a quantidade de filtros) que o equipamento precisa para mover essa vazão. É o mesmo critério para coletores de cartucho e de mangas; nas mangas é tradicionalmente conhecida como “relação ar-pano”, nome que vem do meio de tecido, mas como conceito aplica-se igual ao cartucho, onde é chamada com mais precisão de relação ar-meio filtrante.

A velocidade correta depende do pó e da tecnologia

Não existe uma velocidade de filtração única. Quanto mais fino, mais carregado ou mais pegajoso é o pó, mais baixa deve ser a velocidade —e, portanto, mais área de filtro é necessária para a mesma vazão. Além disso, cada tecnologia trabalha em sua própria faixa: o coletor de cartucho opera a uma velocidade de filtração bastante menor que o de mangas, de modo que para uma mesma vazão a área e a quantidade de meio não se dimensionam igual em um e em outro. Definir a tecnologia (cartucho ou mangas) é, então, um passo prévio ao dimensionamento.

O que acontece se o dimensionamento estiver errado

Uma velocidade de filtração alta demais é o erro mais comum e mais caro: os filtros entopem antes, sobe a perda de carga, a vazão efetiva cai, a vida do meio se encurta e o ventilador consome mais energia para mover o mesmo ar. No outro extremo, uma velocidade baixa demais implica um equipamento superdimensionado: mais área de filtro, maior custo inicial e mais espaço ocupado do que o necessário. Dimensionar bem é encontrar o ponto que equilibra o custo inicial do equipamento com o custo operacional ao longo de sua vida.

CONCLUSÃO

Duas decisões encadeadas definem o tamanho

Dimensionar um sistema de despoeiramento é, no fundo, encadear duas decisões: fixar a vazão necessária na fonte e escolher a velocidade de filtração adequada conforme o pó e a tecnologia. Com essas duas definidas, a área filtrante e o tamanho final do equipamento saem por consequência. Por isso convém resolver antes qual tipo de coletor corresponde, e só depois dimensioná-lo.

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