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Aspiração de pó 
em cimento e agregados

Artigo técnico

Aspiração de pó em cimento e agregados

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CIMENTO E AGREGADOS

Ventilação de silos, carga e despacho: o desafio do pó que endurece

O pó de cimento tem uma particularidade que não compartilha com quase nenhum outro pó industrial: é higroscópico e endurece. Em contato com a umidade não se empasta como faria um pó orgânico: endurece sobre a superfície onde está depositado. Essa única característica muda o projeto de todo o sistema de captação, desde o meio filtrante até a geometria da tremonha. Em agregados o problema é diferente, porém igualmente concreto: grandes volumes de pó mineral abrasivo em plantas que, cada vez mais, operam perto de áreas povoadas.

Os pontos de manejo: do silo ao caminhão

A captação em cimento e agregados concentra-se nos pontos onde o material é armazenado, transferido e despachado. A ventilação de silos é a mais característica: cada vez que um caminhão-tanque descarrega pneumaticamente, o ar deslocado deve sair filtrado, e esse equipamento vai montado sobre o próprio silo. A isso somam-se a carga a granel por meio de mangas telescópicas, o ensacamento e paletização, as transferências entre esteiras, roscas e elevadores, e as centrais de concreto, onde o enchimento da balança desloca ar carregado de cimento. Na frente de pedreira —britagem, peneiramento e transporte— a lógica de captação é a de qualquer operação de minério, e desenvolve-se no artigo de aspiração de pó em mineração.

O pó que endurece

É a diferença central em relação a qualquer outro setor. Quando o pó de cimento absorve umidade, o pulso de limpeza deixa de servir: o material endurece sobre o meio filtrante e o satura de forma irreversível, e na tremonha forma pontes que bloqueiam a descarga mesmo com o equipamento captando bem. Por isso o projeto se defende da umidade em várias frentes ao mesmo tempo: meios filtrantes com tratamento hidrofóbico ou membrana, tremonhas de paredes íngremes com fluidificadores ou vibradores para que o material não forme ponte, e isolamento ou traceamento térmico para manter o equipamento acima do ponto de orvalho. A umidade não é um detalhe operacional: é a variável de projeto.

Inerte, mas não inócuo

Diferentemente do cereal, da madeira ou dos pós metálicos finos, o pó de cimento e de agregados não é combustível: não requer alívio de deflagração nem isolamento de explosão nos dutos, medidas que são obrigatórias em outros setores e que se explicam na pergunta frequente sobre se um coletor pode explodir. Isso não o torna inofensivo. Os agregados contêm sílica cristalina, cuja fração respirável provoca silicose com a exposição prolongada, e o cimento é fortemente alcalino e irritante para vias respiratórias, pele e olhos. A ordem de controle é a habitual: captação na fonte como controle de engenharia, e proteção pessoal como última barreira.

CONCLUSÃO

Em cimento o inimigo é a umidade

Um sistema de aspiração para cimento pode estar corretamente dimensionado em vazão e em superfície filtrante e ainda assim falhar, se não considerou que o pó que capta endurece. A umidade é a variável que define o sucesso da instalação: define o meio filtrante, a geometria da tremonha, a necessidade de isolamento e até o procedimento de partida. Defini-la desde o projeto é o que evita que o coletor se transforme em um bloco de material endurecido poucos meses após a operação.

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