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Proteção do operador 
em processos de jateamento

Artigo técnico

Proteção do operador em processos de jateamento

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SEGURANÇA DO OPERADOR

A segurança nas tarefas de jateamento

Nas tarefas de jateamento por ar comprimido, a proteção do operador não é um acessório: é parte essencial do processo. Os equipamentos de segurança são projetados para suportar as exigências dessas tarefas e protegem tanto o operador de jateamento quanto o pessoal de apoio que trabalha na área.

O operador está exposto a riscos diretos da tarefa —o jato de abrasivo, seu ricochete contra a peça e a alta poluição— e a outros próprios de toda obra industrial, como o ruído e os impactos. Escolher o equipamento de proteção adequado começa por entender as zonas de trabalho e os riscos de cada uma, que é o que desenvolvemos a seguir.

As três zonas de trabalho

O nível de proteção necessário depende de onde cada pessoa se posiciona em relação ao jato de abrasivo.

Por isso convém definir três zonas:

Zona primária: a mais próxima da superfície a tratar; está em contato direto com o jato e o ricochete do abrasivo, com nível de poluição muito alto. Todo trabalho dentro de uma cabine de jateamento é sempre considerado zona primária.

Zona secundária: circunda a primária. Há alta poluição, mas baixo risco de receber ricochete de abrasivo.

Zona terciária: níveis de poluição admissíveis e nenhum risco de contato com o abrasivo projetado.

Cada zona define um equipamento de proteção distinto: a primária exige proteção contra o jato e contra a poluição; a secundária, só contra a poluição; a terciária, a menor exigência.

Os riscos do operador

No jateamento o operador enfrenta três riscos principais, e convém dimensionar cada um:

Jato abrasivo: as partículas são projetadas a mais de 300 km/h. O risco de impacto é evidente e exige proteção física direta na zona primária.
Poluição respirável: é o risco mais sério, pois nunca convém respirar pó. Com areia pode-se inalar sílica livre, causa da silicose, uma doença pulmonar irreversível. Além disso, o pó de tinta removida pode ser nocivo ou tóxico —como nas tintas à base de chumbo.

Ruído: os altos níveis sonoros do processo obrigam à proteção auditiva (vemos isso nos requisitos mais adiante).

Por isso o equipamento da zona primária deve cobrir duas proteções ao mesmo tempo: contra o jato e contra a poluição. As máscaras faciais comuns não servem, pois não cumprem ambas.

O capacete de pressão positiva

Para trabalhar na zona primária —tanto o operador quanto o pessoal de apoio— o equipamento apropriado é o capacete de pressão positiva classe CE, aprovado nos EUA pela OSHA (Administração de Segurança e Saúde Ocupacional) e MSHA (Administração de Segurança e Saúde em Mineração), e controlado pelo NIOSH (Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional). O pessoal na zona secundária, por outro lado, só precisa de um respirador classe C contra a poluição, sem proteção contra o jato.

Por que pressão positiva e não uma máscara

• O capacete de pressão positiva classe CE tem um coeficiente NIOSH de 1.000: para cada 1.000 partículas no exterior, apenas 1 entra no capacete.
• Em uma máscara facial comum esse número é maior que 10 (entra 1 a cada 10). O risco de doença é inversamente proporcional a esse coeficiente.

• Por isso, no jateamento, as máscaras faciais são ineficientes: não cumprem as duas proteções requeridas.

A visibilidade importa
• Entre dois capacetes de igual eficiência, a visibilidade é o fator decisivo.

• Um amplo ângulo de visão ajuda na tarefa e evita acidentes (impactos, quedas) por visão insuficiente.

• Os visores e lâminas de proteção devem ser totalmente translúcidos, sem zonas de deformação que causam cansaço e tonturas.

O ar respirável

O capacete de pressão positiva funciona com ar que chega ao operador, e esse ar deve ser apto para a respiração humana: convenientemente filtrado, com um máximo de 10 ppm de monóxido de carbono e uma vazão de aproximadamente 0,5 m³/min. Uma vazão menor pode deixar entrar pó; uma maior irrita os olhos.

Como se fornece o ar (dois sistemas)
Filtro para respiração humana: recebe ar do compressor e o entrega ao capacete. Retém partículas maiores que 25 µ, aerossóis de óleo e água, e desodoriza o ar. Não remove o monóxido de carbono, portanto convém um alarme de CO na linha.

Bomba ou soprador: toma ar da atmosfera, filtra-o e o impulsiona ao capacete. Está livre de CO, mas deve ser posicionado longe do trânsito de veículos: se um motor a combustão funciona perto, seu CO é aspirado e os filtros não o eliminam.

Atenção ao monóxido de carbono
• O mais comum é alimentar o filtro com o mesmo compressor que impulsiona o abrasivo. Esses compressores costumam ser lubrificados e podem emitir CO por excesso de lubrificação ou superaquecimento.

• Nesse caso, o alarme de CO na linha de ar respirável é indispensável. O ideal é um compressor pequeno livre de óleo para alimentar o filtro.

Requisitos do ar de respiração humana:

Além disso, o operador deve trabalhar abaixo de 80 dB para uma jornada média de 8 horas, o que obriga ao uso permanente de proteção auditiva, tanto para o operador quanto para o pessoal de apoio.

ParâmetroValor admissível
Oxigênio19,5 % – 23,5 %
Óleo condensadomáx. 5 µg/m³
Monóxido de carbono (CO)máx. 10 ppm
Dióxido de carbono (CO₂)máx. 1.000 ppm

O equipamento completo do operador

Reunindo tudo o anterior, um equipamento básico de proteção para jateamento compõe-se de:

• Capacete de pressão positiva classe CE, em materiais resistentes à abrasão e facilmente substituíveis, com circulação interna de ar (capa de proteção e lente dupla selada).
• Tubo de condução de ar anti-sufocamento com atenuador de ruído.

• Cinto com válvula de regulação.

• Mangueira de alimentação entre o cinto regulador e o filtro do operador.

• Filtro para respiração humana com cartucho descartável, três etapas de filtragem e desodorização com carvão ativado, com válvula limitadora e reguladora de pressão.

• Luvas de proteção.

• Traje de proteção com frente de couro.

• Botinas de segurança.

Outros elementos de segurança recomendados: medidor de nível de CO, travas de segurança para as uniões de mangueiras e climatizador de ar para o conforto do operador.

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